António Góis

O que vou fotografando por aí

"O Aldeano" — Memória Viva do Rio Tejo

Um retrato do rio, da luz da tarde e da alma ribeirinha portuguesa.

Com a proa pintada como quem pinta um altar, "O Aldeano" repousa na lama húmida do Montijo, à espera da próxima maré. As cores fortes — o verde, o vermelho, o azul — e as flores desenhadas à mão, contam uma tradição que atravessa gerações: a dos varinos que deram vida ao estuário do Tejo.

Cada detalhe tem propósito e beleza: as cordas cuidadosamente enroladas, a vela ainda amarrada ao mastro, a âncora suspensa junto ao costado. Nada aqui é por acaso, é o resultado de um saber-fazer artesanal que resiste ao tempo, mesmo quando o barco descansa, imóvel, refletido nas poças de água que a maré vazante deixou na areia.

Um retrato do rio, da luz da tarde e da alma ribeirinha portuguesa.

1