Sentado no seu pequeno banco, no coração do Rossio, o engraxador espera mais um cliente. Os auscultadores isolam-no do ruído da cidade, mas não do passar do tempo. À sua volta, centenas de pessoas cruzam a praça apressadas, quase sem reparar naquele homem que continua a exercer um ofício outrora indispensável e hoje cada vez mais raro.
A sua caixa de trabalho guarda muito mais do que escovas e graxas. Guarda histórias, conversas, rostos e décadas de uma Lisboa que mudou sem pedir licença. Houve um tempo em que o brilho dos sapatos era um cartão de visita e os engraxadores faziam parte da paisagem humana da cidade. Hoje são quase uma memória viva.
Esta fotografia é mais do que o retrato de um homem. É um olhar sobre um ofício que resiste, silenciosamente, ao ritmo frenético dos nossos dias.